NORMA BS25999 - CONTINUIDADE DOS NEGÓCIOS


Flavio Malfatti Sartorato
Juliano Forster
Luiz Cezar Quaquio
Wellington Fonseca Leal

INTRODUÇÃO

A norma britânica BS 25999 foi criada pela BSI em 2006 e, cerca de um ano depois - em outubro e 2007 - foi publicada no Brasil pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com o nome ABNT NBR 15999-1.

A BS 25999 é a primeira norma para o gerenciamento da continuidade do negócio, sendo um código de práticas que assume a forma de guia e recomendações. Estabelece os processos, os princípios e terminologias da GCN (Gestão da Continuidade dos Negócios), provendo a base para o entendimento, desenvolvimento e implementação da continuidade do negócio dentro das organizações e proporciona confiança nos negócios entre empresas e entre empresas e clientes. Ela tem sido desenvolvida por praticantes da comunidade global e é desenhada para manter o negócio funcionando durante desafios ou circunstâncias inesperadas, protegendo seu pessoal, preservando sua reputação e provendo a habilidade de continuar operando e fazendo negócios.

Além disso, fornece um conjunto de controle base de melhores práticas e abrange todo o ciclo de vida da GCN.

Ciclo de Vida da SGCN

Fig. 1 – Ciclo de Vida da SGCN

A BS 25999 é publicada em duas partes, a parte 1 desta norma irá substituir o documento PAS 56 - Publically Available Specification 56:

BS 25999-1:2006 – Código de práticas para a Gestão da continuidade dos negócios. Destina-se a fornecer um sistema base de boas práticas para gestão da continuidade dos negócios, servindo como um único ponto de referência para maioria das situações que envolvem a continuidade dos negócios.

Conteúdo


BS 25999-2:2007 – Especificações do processo para alcançar a certificação para continuidade dos negócios adequada à dimensão e complexidade de uma organização. As especificações são genéricas e planejadas para serem aplicadas em toda a organização, ou partes delas, independente do tipo, tamanho ou natureza do negócio. A extensão da aplicação dessas especificações depende da dimensão e complexidade da organização. Portanto, a concepção e implementação para corresponder às necessidades dessa norma será influenciada pelos requisitos regulatórios, de clientes e de negócios, os produtos e serviços, os processos empregados e o tamanho e estrutura da organização. Não é intenção da British Standard implicar na uniformidade da estrutura do Sistema de Gestão da Continuidade do Negócio (SGCN), mas para organização desenhar o SGCN apropriado as suas necessidades e as necessidades das partes interessadas.

Conteúdo

O que é a Gestão da Continuidade do Negócio?

As empresas hoje em dia possuem uma dependência cada vez maior de um ambiente computacional. Este ambiente é fundamental para que as empresas mantenham, criem e troquem informações.

Empresas que possuem um ambiente computacional bem desenvolvido e confiável ganham diferenciais estratégicos permitindo assim atingir uma maior produtividade, competitividade e sucesso nos negócios.

A Gestão da Continuidade do Negócio (BCM) é um amplo mapa de riscos e suas respectivas soluções. Ela engloba dois programas: o Plano de Recuperação de Desastres, que tem como foco o ambiente computacional das empresas e o Plano de Continuidade de Negócios, que diagnostica incidentes que podem comprometer toda a planta ou organização e estabelece procedimentos para que as atividades não sejam interrompidas ou minimizadas.

Os departamentos focados pela Gestão da Continuidade do Negócio é a Tecnologia da Informação, o Financeiro e Operações.

As Principais Características da Continuidade de Negócios são:

Disponibilidade
É possível ter uma alta disponibilidade através da capacitação de funcionários, uso de tecnologias de proteção, componentes redundantes, replicação dos dados.

Confiabilidade
Caso ocorram incidentes que comprometam o funcionamento normal dos sistemas, ações previsíveis e garantia de retorno rápido dos serviços é indispensável.

Recuperação
Backup dos dados e proteção, de forma a possibilitar a recuperação parcial ou total do ambiente nos tempos programados. Conhecer os planos de recuperação e mantê-los em dia testando-os criteriosamente de tempos em tempos.

Para que serve a Gestão da Continuidade do Negócio?

- Identificar riscos e prováveis impactos;

- Traçar estratégias e planos de ação;

- Reduzir os danos ao patrimônio público, ao meio-ambiente e as pessoas;

- Diminuir o impacto sobre a receita e a perda de participação de mercado da empresa.

- Organizar testes e exercícios;

- Proteger a imagem da empresa;

- Minimizar ações judiciais e coordenar a comunicação com os vários públicos.

Probabilidade X Impacto da GCN

Fig. 2 – Probabilidade X Impacto da GCN

Case – Banco Nossa Caixa

A Certificação

O Banco Nossa Caixa, terceiro maior banco público do país, acaba de ganhar o certificado da norma internacional BS 25999-2:2007. A instituição é o primeiro banco do mundo a receber esta certificação.

A BS 25999 certifica que o Banco está preparado para manter as suas atividades do SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiros) em caso de interrupções originadas por problemas internos ou por adversidades, como inundações, desastres, atentados e terrorismo.

Com este certificado o banco garante a confiabilidade de seus processos e a integridade do serviço de SPB a qualquer tempo.

O Banco Nossa Caixa teve como parceria nesta certificação a empresa Módulo, empresa especializada em Governança, Riscos e Compliance, que prestou consultoria e forneceu o software Módulo Risk Manager.

Graças ao sucesso obtido, o projeto, pioneiro para empresas do setor financeiro, será exportado para os Estados Unidos e Europa.

Para o banco a certificação demonstra atenção e respeito aos clientes e acionistas e ao segmento financeiro, além de uma maior confiabilidade em seus processos.

Ambiente

O SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro) foi o ambiente de certificação da Nossa Caixa, por ser a unidade de negócios que não pode parar, sob o risco de colocar a instituição a perdas financeiras ou de causar danos à imagem da mesma.

“O SPB é um processo da mais alta relevância, sendo que o ambiente do Banco foi recentemente reestruturado para melhor atender as exigências legais. A certificação demonstra que estamos alinhados às melhores práticas adotadas pelo mercado, agregando valor aos nossos negócios e vantagem competitiva. Certificando o ambiente SPB na BS 25999, garantimos que a excelência dos investimentos recentes refletirá em benefícios aos nossos clientes”, comenta José Waldir P. Carvalho, gerente da Divisão de Segurança de Tecnologia da Informação da Nossa Caixa.

A ferramenta Módulo Risk Manager foi utilizada durante todo o processo de certificação para mapear os riscos com alto nível de detalhes e fornecer informações relevantes para a construção dos planos de ação de cada demanda do projeto. A Módulo criou o BIA (Business Impact Analisys), realizou análises de riscos, capacitou às áreas envolvidas e fez duas pré-auditorias. O software também proporcionou ao processo mais agilidade, estruturação dos processos de gestão e apoio na construção do manual do SGCN - Sistema de Gestão da Continuidade de Negócios.

A área de Tecnologia da Informação elaborou o plano através da análise dos riscos de interrupção e dos impactos no negócio do sistema SPB. Todos os procedimentos estipulados foram submetidos a testes de confiabilidade e, agora, devem ser refeitos a cada seis meses.

Os ambientes - produção, homologação e contingência - do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) da Nossa Caixa, funcionam 24 horas por dia, em sistema de disponibilidade total, durante os sete dias da semana.

“Um Plano de Contingência é uma exigência comum das agências reguladoras e está presente em publicações como o Código Civil, a Lei Sarbanes-Oxley, Basiléia, as resoluções do Banco Central, como por exemplo, a Resolução 3380, nos programas de qualidade da BMF (Bolsa de Mercadorias e Futuros) e nas recomendações do Tribunal de Contas da União. Por isso, com a certificação concedida pelo BSI, o Banco Nossa Caixa deu um grande passo no sentido de se colocar em conformidade com todas essas leis e regulamentações”, afirma Fernando Nery, sócio-fundador da Módulo.

“A capacidade de uma organização em manter as operações essenciais durante e após um evento desastroso, bem como a velocidade em que ela é capaz de restabelecer a funcionalidade total, pode significar a diferença entre o sucesso e a falha.” Cid Vieira - Diretor Comercial do BSI.

Framework utilizado pela Empresa Módulo

A módulo foi à parceira do Banco Nossa Caixa para obter a certificação.

A estrutura de trabalho da empresa Módulo para a implementação da BS 25999 nas empresas se divide em 8 fases:

Fase I - Detalhar o escopo e planejar

Fase II - Gestão da Continuidade do Negócio (GCN)

Fase III - Security Governance & Análise de Impacto no Negócio (BIA)

Fase IV - Estratégia de Continuidade

Fase V – Desenvolver e Implementar os Planos

Fase VI - Testar e manter a GCN

Fase VII - Campanha de divulgação e treinamento de GCN

Fase VIII - Apresentar resultados

Componentes da Contingência e GCN

Componentes da Contingência e GCN

Fig. 3 – Componentes da Contingência e GCN

REFERÊNCIAS

http://www.bsibrasil.com.br

http://www.saopaulo.sp.gov.br http://www.terra.com.br/istoedinheiro http://www.aliceramos.com http://www.25999.info http://www.bs25999.biz http://www.bs25999.com/ http://www.bs25999.net